Terroristas do Boko Haram aceitam Jesus e passam a fazer parte de igreja perseguida

Seis integrantes do Boko Haram aceitaram Jesus após entrarem desarmados em uma conferência para pastores de igrejas clandestinas em Maiduguri, na N...

Terroristas do Boko Haram aceitam Jesus e passam a fazer parte de igreja perseguida
Terroristas do Boko Haram aceitam Jesus e passam a fazer parte de igreja perseguida (Foto: Reprodução)

Seis integrantes do Boko Haram aceitaram Jesus após entrarem desarmados em uma conferência para pastores de igrejas clandestinas em Maiduguri, na Nigéria, e ouvirem o Evangelho.

O missionário Brad Brandon, fundador do projeto evangelístico Across Nigeria, voltado à evangelização de muçulmanos fulani, contou que o episódio ocorreu em 2025, na região conhecida como o berço do Boko Haram.

Os seis homens apareceram na porta do local durante a cerimônia de encerramento da conferência. Eles vestiam túnicas verdes que permitiam identificá-los como integrantes do grupo terrorista.

“Pensamos que, se eles estão aqui e realmente querem aprender e conhecer, não queremos impedi-los. É por isso que estamos aqui, para levar o Evangelho”, disse Brandon à Baptist Press.

“Então, nós os deixamos entrar e os permitimos participar do nosso trabalho missionário. Conseguimos levar todos os seis a Cristo. E eles se tornaram parte de nossas igrejas clandestinas”, acrescentou.

O missionário explicou que muitos evangelistas que lideram igrejas públicas e clandestinas na Nigéria vieram do Islã. 

Alguns atuam em regiões onde a conversão ao cristianismo pode resultar em perseguição e até mesmo em morte, especialmente em comunidades onde a lei islâmica, conhecida como Sharia, é aplicada de forma rigorosa.

7.600 muçulmanos para Cristo

O trabalho de Brandon é direcionado principalmente aos fulani. Embora a maioria viva pacificamente com seus vizinhos, alguns estão envolvidos em atividades extremistas e integram grupos terroristas, como o Boko Haram.

Há mais de uma década, Brandon sentiu o chamado de Deus para atuar no norte da Nigéria. Para se aproximar das comunidades fulani, ele começou construindo escolas sem atividades evangelísticas, com o objetivo de oferecer educação às crianças. Muitos fulani não sabem ler nem em hauçá, língua falada por eles, nem em inglês, idioma oficial da Nigéria.

Os professores são orientados a não evangelizar os alunos, pois isso poderia gerar problemas para o trabalho. Em vez disso, eles desenvolvem relacionamentos com os pais e, por meio dessa aproximação, compartilham o Evangelho.

“É através dos relacionamentos que nossos professores têm com os pais que podemos ter uma oportunidade para falar sobre Cristo”, explicou ele.

E continuou: “No geral, nos últimos 13 anos, eu diria que vimos 7.600 muçulmanos virem a Cristo”.

Em 2019, cerca de cinco anos depois de um líder fulani local apresentá-lo a uma aldeia da comunidade, Brandon lançou oficialmente o Across Nigeria. Desde então, o projeto tem recebido apoio de igrejas dos Estados Unidos.

Evangelização em áreas de perseguição

A Igreja Batista de Decatur, no Alabama, apoia o ministério há cerca de quatro anos.

Segundo o pastor sênior Joe McKaig, a congregação contribui financeiramente e realiza reuniões de oração pelos missionários e pelas iniciativas que ajuda a manter.

“Nós realmente admiramos o que Brandon está fazendo, abordando a questão de forma holística, certamente levando o Evangelho adiante. É simplesmente a maneira como ele ministra entre os muçulmanos fulani. Ele vai até lá, constrói escolas, educa as crianças e até mesmo oferece lugares seguros para aqueles que estão sendo ameaçados”, relatou Joe.

A igreja doou US$ 53 mil para a construção de uma das escolas administradas pelo projeto. No entanto, devido aos riscos de segurança, a congregação não envia equipes missionárias à região.

A Nigéria continua sendo um dos países mais perigosos para os cristãos. De acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2026, da missão Portas Abertas, 3.490 cristãos foram mortos no país por causa da fé durante o período analisado, que corresponde a 2025. O número é superior aos 3.100 registrados no levantamento anterior.

“Há pouquíssimos que estão ministrando na Nigéria e especialmente no norte da Nigéria. Há pouquíssimos que ministram entre o Boko Haram e os muçulmanos Fulani. É uma situação difícil, e também valorizamos isso”, afirmou Joe.

Para proteger os evangelistas e as comunidades atendidas, Brandon adota diferentes estratégias, como infiltrar informantes em redes terroristas e verificar se os convertidos são sinceros. O missionário também mantém igrejas clandestinas em locais onde reuniões abertas seriam muito perigosas e constrói relacionamentos com os fulanis da região, que ajudam a proteger as escolas e o ministério.

Além disso, o ministério realiza verificações de antecedentes de todos como parte do processo de seleção, utilizando bancos de dados federais dos EUA e da Nigéria, referências locais, igrejas e outras fontes.

(Foto: Reprodução)
Reunião de cristãos em uma igreja clandestina. (Foto: Reprodução/Baptist Press)

“Realizamos uma verificação completa de antecedentes de todos antes de contratá-los, pois não queremos ninguém que esteja atualmente associado a um grupo terrorista ou que faça parte ativamente de um grupo terrorista”, disse Brandon. 

“Muitas vezes, não contratamos ninguém que conhecemos há menos de três anos e com quem não trabalhamos há três anos. Portanto, eles precisam fazer parte de uma igreja. Precisam fazer parte de uma comunidade”, acrescentou.

Apesar das precauções, o ministério não consegue evitar completamente o perigo. No início deste ano, homens-bomba suicidas mataram quatro membros de igrejas clandestinas em Maiduguri.

Por isso, as igrejas adotam medidas para evitar que os membros se reúnam sempre no mesmo local, dia e horário. Os encontros são alternados, e as congregações não se concentram em um único espaço.

Ex-terrorista se torna evangelista

Segundo o missionário, os fulanis valorizam a educação oferecida pelas escolas, que abre novas oportunidades profissionais. Com isso, as comunidades ajudam a proteger as escolas e o ministério.

Entre os frutos do trabalho está a conversão de um ex-integrante fulani do Boko Haram, que hoje atua como evangelista e viaja por diferentes países para pregar o Evangelho.

“Ele tinha ouvido falar da nossa organização, da nossa mensagem e do que estávamos fazendo. E ele era fulani, e tinha ouvido falar do nosso trabalho na comunidade fulani, então tínhamos certa simpatia por lá”, disse Brandon. 

“Acabamos tendo um encontro com ele e o levamos a Cristo. Ele é um dos nossos evangelistas que viaja por todo o país. Ele esteve no Chade recentemente, e no Níger no início deste ano, nos ajudando a fundar uma igreja lá. Ele é um evangelista muito poderoso e eficaz”, concluiu.