Muçulmano interrompe culto na Indonésia e ameaça cristãos com facão

Um culto foi interrompido por um muçulmano armado com um facão, que ameaçou os fiéis caso a congregação continuasse re...

Muçulmano interrompe culto na Indonésia e ameaça cristãos com facão
Muçulmano interrompe culto na Indonésia e ameaça cristãos com facão (Foto: Reprodução)

Um culto foi interrompido por um muçulmano armado com um facão, que ameaçou os fiéis caso a congregação continuasse realizando cultos na Indonésia. Agora, os cristãos estão pedindo que ele seja responsabilizado pela Justiça. 

O caso aconteceu no dia 20 de setembro, na vila de Mekarsari, na ilha de Java. Cerca de 40 cristãos participavam do culto da Igreja Cristã Protestante Indonésia (GKPI) quando quatro muçulmanos interromperam a reunião.

Em um vídeo, um dos homens, identificado como Aji Cahyono Putra, de 29 anos, aparece segurando um facão enquanto discutia com membros da igreja na entrada do local.

“Nunca mais [voltem a adorar aqui]. Não repitam isso. Fechem agora e para sempre”, gritou Aji.

Em seguida, ele ameaçou os cristãos caso o local continuasse funcionando. “Se vocês não fecharem isso, haverá derramamento de sangue lá dentro. Por Alá, não tenho medo de morrer”, disse ele.

Diante da ameaça, os 40 cristãos deixaram o local imediatamente.

Fechamento do local de culto

Segundo o Morning Star News, na mesma noite, foi realizada uma reunião de mediação entre os envolvidos. Durante o encontro, Aji pediu desculpas aos cristãos pela ameaça e afirmou que carregava o facão porque havia acabado de “cortar capim para seu gado e participado de um evento cultural islâmico”.

À princípio, os representantes da igreja aceitaram o pedido de desculpas e concordaram em não levar o caso adiante judicialmente.

“Aceitamos o pedido de desculpas, e a questão foi resolvida por meio de deliberação e mediação”, disse Hadi Sucipto, representante da GKPI.

No entanto, horas depois, o local onde ocorreu o culto chamado de “casa de oração” foi oficialmente fechado por determinação da administração de Tangerang. Segundo as autoridades, o espaço era pequeno demais para a quantidade de membros da congregação.

Com o fechamento, os cristãos precisaram realizar o culto do dia 27 de setembro nas casas de membros da igreja.

O representante do Ministério de Assuntos Religiosos da Indonésia, Gugun Gumilar, criticou o episódio e afirmou que a congregação tinha autorização para realizar os cultos no local.

“Ninguém tem o direito de proibir os cultos. Lamentamos profundamente as ações violentas dos moradores que portavam armas brancas. Perturbar o culto das pessoas é um ato criminoso previsto na legislação da KUHP”, relatou Gugun.

Cristãos pedem responsabilização

Após a casa de oração ser fechada pelas autoridades, cristãos e organizações de direitos humanos passaram a cobrar que o muçulmano que ameaçou os fiéis seja responsabilizado pela Justiça:

“Embora tenham reconhecido os esforços de mediação, afirmaram que tais acordos são superficiais demais para garantir a segurança das partes lesadas”.

Bonar Tigor Naipospos, do Instituto Setara para a Democracia e a Paz, afirmou que deixar o caso sem punição pode passar a impressão de que pessoas pertencentes à maioria religiosa estão acima da lei.

“Se esse caso não for resolvido judicialmente, os perpetradores se considerarão imunes à lei por alegarem representar a maioria – o impacto é enorme; vários grupos intolerantes farão o mesmo. Imagine, alguém ameaça te matar, depois pede desculpas com promessas e lágrimas de crocodilo devido à pressão popular, e então sai impune”, afirmou Bonar.

A Anistia Internacional na Indonésia também pediu que a polícia continue investigando o caso, principalmente a ameaça feita com o facão. A organização alertou que resolver a situação apenas por meio de mediação pode transmitir a ideia de que interrupções violentas de cultos podem acontecer sem consequências legais.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos da Indonésia classificou o episódio como uma violação do direito à liberdade religiosa. 

“Essas ações se enquadram na categoria de perseguição que não pode ser justificada, porque o direito ao culto é garantido pela Constituição. É claro que a violência por qualquer motivo não pode ser justificada e não pode ser tolerada, incluindo questões de autorização – essas são questões administrativas. Portanto, não podem servir de justificativa para violência e perseguição”, declarou Anis Hidayah, presidente da entidade.

A Comunhão de Igrejas na Indonésia (PGI) também condenou a interrupção do culto e pediu medidas legais contra os envolvidos. 

A Indonésia está entre os países onde cristãos enfrentam restrições e hostilidade por causa da fé. O Morning Star News informou que, após este episódio, diferentes pessoas apresentaram denúncias à polícia. Pelo menos oito testemunhas foram ouvidas pelas autoridades.